Dois curtas-metragens de Rudolfo Auffinger, cineasta natural de Joaçaba, conquistaram recursos de editais culturais para chegar à fase final. O Porão foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo de Herval d’Oeste, e Basquete das Excluídas recebeu apoio local em Joaçaba (SC). Os dois filmes tocam em temas que a Rachadura Visual persegue há anos: infância, corpo e existência LGBTQIA+ fora dos grandes centros.
O Porão: um filme sobre abuso na infância
O Porão é dirigido por Rudolfo Auffinger e produzido por Keythe Tavares. Com 15 minutos de duração, o curta parte de uma história vivida pelo próprio diretor: um abuso ocorrido na infância.
As filmagens aconteceram em 2019, em Joaçaba. Com o material bruto já gravado, o recurso da Lei Paulo Gustavo vai para a finalização: edição e montagem, edição de som, gravação do texto em off e o material promocional para inscrever o filme em festivais de cinema.
Para Auffinger, O Porão não é apenas um filme. É também uma forma de conscientizar sobre abusos infantis, que são frequentes, e de estimular a educação de crianças sobre seus corpos e seus limites. A previsão, no momento do anúncio, era concluir o projeto até dezembro de 2024.
Basquete das Excluídas: vogue na quadra pública
Basquete das Excluídas documenta um grupo LGBTQIA+ que se reúne montado para jogar basquete e dançar vogue nas quadras públicas do Sul do Brasil. O coletivo que dá nome ao filme surgiu em Curitiba, em 2013.
O curta quer romper estigmas e celebrar a diversidade no esporte. A proposta é desorganizar equipes, subverter lógicas capacitistas e criar um ambiente de inclusão, destacando a performance e a performatividade desse grupo. O recurso também vai para a finalização do filme.
Formação como contrapartida
Como contrapartida ao apoio recebido, o projeto prevê uma oficina prática de projetos culturais ministrada por Rudolfo Auffinger. A ideia é capacitar 15 participantes a formular e desenvolver os próprios projetos, criando uma base para novas produções na região.
A oficina foi planejada para a Casa da Cultura Rogério Sganzerla, em Joaçaba. As inscrições e o cronograma da primeira edição estão nesta notícia sobre a Oficina Prática de Projeto Cultural. Saiba mais sobre as ações de formação da Rachadura Visual.
Próximos passos: festivais e debates
Depois de finalizados, os dois filmes serão inscritos em festivais de cinema. O caminho repete o do trabalho anterior do coletivo, do peito da pele, curta experimental premiado em diferentes países.
O projeto estabeleceu metas de público:
- pelo menos 300 pessoas no lançamento;
- 1.000 pessoas a longo prazo;
- sessões de debate após as exibições, para aprofundar os temas dos filmes.
Os recursos cobrem ainda trilha sonora, acessibilidade, divulgação, material promocional e a oficina de contrapartida.
Cinema feito no interior
Os dois curtas reforçam uma aposta da Rachadura Visual: fazer cinema autoral a partir do Oeste catarinense, com histórias que raramente chegam às telas. É a mesma região que recebeu a estreia de O que é de César, curta sobre identidade de gênero no campo.
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