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heranças, de Keythe Tavares, nasce do diálogo com os poemas de Orides Fontela

Retrato em preto e branco da poeta Keythe Tavares sentada na grama entre plantas, autora do livro heranças

heranças, livro de estreia da poeta Keythe Tavares, publicado pela Editora Urutau, nasce do diálogo com dois poemas homônimos de Orides Fontela: um de 1973 e outro de 1986. O livro tem orelha de Bianca Gonçalves e posfácio de Francisco Mallmann, parceiro da Rachadura Visual em do peito da pele.

O encontro com Orides Fontela

Keythe conta que encontrou Orides no meio do caminho, quando já escrevia “heranças” havia alguns anos. A leitura do poema de 1986, publicado em Rosáceas, ativou muitas memórias. Nos poemas de Orides ela encontrou uma liga para o livro, a epígrafe e até o título.

parece que sou bem fã girl de Orides, né? e sou mesmo encantadíssima com a obra dessa mulher que disse um dia numa entrevista “o maior bem possível é a poesia”.

Keythe Tavares

Um dos poemas “Herança” de Orides é um inventário de objetos deixados pela família: da avó materna, do pai e da mãe vêm uma toalha de batismo, ferramentas, flautas, um pilão. É a herança concreta, feita de coisas.

A herança abstrata

No contraste entre os dois poemas, Keythe lê que, além da herança concreta, existe a abstrata: maleável, mutável, esculpida pelo tempo. É por aí que o livro caminha, deslizando entre memórias que formam a matéria bruta do presente.

Fragmentos, alegrias, medos, objetos, dores, culpas e conflitos aparecem como aquilo que, nas palavras da autora, “alimenta o hoje a colheradas”. O livro pergunta o que a gente gostaria de lembrar e o que gostaria de esquecer.

escrevo para curar. escrevo para lembrar. lembro para mudar. escrever para escolher. subverter o caminho óbvio da herança.

Keythe Tavares, sobre heranças

Orelha e posfácio

Na orelha, a pesquisadora, professora e poeta Bianca Gonçalves descreve uma escrita de si atravessada pela figura materna e, principalmente, pelos discursos da igreja:

O rosto nas tomadas, os dentes amarelados, o pão que não cresce, a toalha com o nome bordado errado. Seria sua certidão de nascimento?

Bianca Gonçalves, orelha de heranças

O posfácio é de Francisco Mallmann e se chama “depois de atravessar ainda é travessia: dez gestos com keythe tavares”. Ele se apresenta como uma paragem depois de cruzados os caminhos do livro.

Quem é Keythe Tavares

Keythe Tavares é do meio do cerrado: nasceu em Goiás e cresceu no Tocantins. Foi atendente, empacotadeira, cabeleireira, crente, estudante de jornalismo, assistente de padaria, secretária, vendedora de livros, cozinheira e garçonete, com a poesia atravessando tudo.

Hoje vive da escrita, de colagens manuais e de projetos audiovisuais. Em 2020 lançou até o caroço, publicação independente com colagens e poemas desmembráveis. Na Rachadura Visual, codirigiu do peito da pele e dirigiu o clipe-colagem egoísta.

Onde encontrar

heranças pode ser comprado com a Editora Urutau ou diretamente com a autora. Veja a ficha do livro em heranças, leia mais sobre a obra da poeta nesta notícia e conheça também o que altera o peso das coisas.

Foto: Laís Melo. Trechos de Keythe Tavares, Bianca Gonçalves e Francisco Mallmann reproduzidos da página do livro, com crédito.

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