Em outubro de 2009, dois estudantes de cinema de Curitiba viram seu filme na programação de um dos festivais mais inventivos do país. Traço Fuso, documentário curto de Rudolfo Auffinger e Sônia Procópio, foi exibido na Mostra Sessões da Meia-Noite do Cine Esquema Novo, em Porto Alegre — e voltamos a essa história agora que o filme está online, inteiro.
Uma sessão à meia-noite
O Cine Esquema Novo de 2009 aconteceu de 17 a 24 de outubro, com entrada franca, na Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro), no Cine Bancários e no Cine Santander Cultural. Foram quase 800 filmes inscritos. As competitivas reuniram 22 curtas e 4 longas, com um júri formado por Cezar Migliorin, Christian Saghaard, Lina Chamie, Maria Helena Bernardes e Maria Henriqueta Satt; o melhor longa foi Ressaca, de Bruno Vianna, e o melhor curta, Sweet Karolynne, de Ana Bárbara Ramos.
A Mostra Sessões da Meia-Noite teve quatro programas e 24 filmes. O -fuso — é assim que o título aparece na tela — entrou no quarto programa, com doze curtas, e passou duas vezes: em 23 de outubro, à meia-noite, na Sala P. F. Gastal, e em 24 de outubro, às 14h30, no Cine Bancários.
A gente era estudante de cinema. Estar num festival como o Cine Esquema Novo era algo único pra nós.
Rudolfo Auffinger
Criado em 2003 e dedicado ao que chama de cinema de invenção, o Cine Esquema Novo chegou em 2026 à sua 16ª edição. Acompanhe o festival no Instagram: @cine_esquema_novo · cineesquemanovo.org.
O filme
O título sugere a busca de um sufixo para difuso e confuso, além de remeter a fuzo, de fuzarca, fuzoê. Traço Fuso retrata Alê, que não só trabalha num salão de beleza, mas se preocupa com a própria imagem: entre o espelho, a tesoura, o secador e a volta para casa à noite, numa estação-tubo de Curitiba.
Feito na oficina de Eduardo Escorel
O filme nasceu numa disciplina conduzida por Eduardo Escorel no curso de Cinema e Vídeo, em Curitiba. Escorel é um dos grandes nomes do cinema brasileiro: montou O Padre e a Moça, Terra em Transe, Macunaíma, São Bernardo, Cabra Marcado para Morrer e Santiago; dirigiu Lição de Amor (1975), premiado em Gramado, e Imagens do Estado Novo 1937-45; escreve sobre cinema na revista piauí e coordena a pós-graduação em Cinema Documentário da FGV.
Ter aula com ele foi uma experiência única de aula e produção. A disciplina misturava tudo: escrita de críticas, produção audiovisual — cada grupo realizou quatro filmes ao longo do semestre — e provas com textos técnicos e teóricos, como os de Jean-Louis Comolli, crítico e cineasta francês, editor da Cahiers du Cinéma e autor do ensaio “Técnica e ideologia”. Traço Fuso é um desses filmes.
Antes e depois
O Fuso não foi o primeiro: um ano antes, em novembro de 2008, a videoarte Penso, Vídeo Existo tinha sido selecionada para o NÓIA, em Fortaleza — o festival segue ativo como NOIA – Festival Internacional do Audiovisual Universitário (@festivalnoia). Em 2009, o mesmo filme passou pelo Festival Brasileiro de Cinema Universitário, o FBCU (fbcu.art.br · @fbcu_festival).
Foi ali, nos festivais universitários e nas sessões da meia-noite, que começou o caminho que levaria à Rachadura Visual. Veja todos os filmes que dá para assistir na íntegra.



