Montadas, de salto ou de tênis, elas ocupam a quadra pública para jogar basquete e dançar vogue. Basquete das Excluídas, documentário de Rudolfo Auffinger, nasceu em Curitiba, no encontro com a cena vogue da cidade, e acompanha um grupo LGBTQIA+ que transforma o esporte em expressão de identidade e resistência.
Um jogo que virou movimento
O “Basket das Excluídas” surgiu em Curitiba, em 2013, e se espalhou por Portugal, Espanha, México e outras cidades do Brasil. É um grupo LGBTQIA+ que se reúne montado para jogar basquete numa quadra pública e dançar vogue pela cidade.
O jogo desafia normas e celebra a diversidade. Ao mesmo tempo que é partida, é afirmação de corpos que costumam ficar de fora do esporte e da rua.
A origem do filme: 20 minutos.mov
O documentário começou em janeiro de 2019, durante as oficinas do projeto de residência artística 20 minutos.mov, na Casa Hoffmann, em Curitiba. A residência convida artistas a criar uma dança, performance ou peça de 20 minutos.
Ali, Neide Marela conduzia oficinas semanais de vogue com Silvester. A entrega final era uma aula de dança na quadra de basquete, que também resgatava a memória do Basquete das Excluídas: um encontro semanal no alto da XV, em que as bichas, montadas, jogavam basquete e dançavam na praça.
Opereta das Excluídas é um manifesto, um berro, uma afirmação de identidade. A partir do convite de Neide Marela e Bernardo Stumpf, a Rachadura registrou a noite de conclusão do projeto de residência artística 20 minutos.mov que reuniu bichas para dançarem vogue e jogar basquete na praça pública.
Rachadura Visual
O registro rendeu primeiro um videoclipe da música “Opereta das Excluídas”, de Neide Marela e Bababitts. Mas a equipe percebeu a força daquele material como documentário, e o projeto seguiu como filme.
POSE!: o manifesto
O filme carrega um manifesto escrito no ritmo da pista, em que cada estrofe termina com um grito de “POSE!”. Alguns trechos:
Pelo direito de dançar gozando, de sandálias havaianas, de salto alto, de maiô asa delta ou simplesmente nuas.
Para aquelas que se sentem baixas, gordas, mancas, descoordenadas, pé raspada, sem pernas. as que fugiam da bola no recreio.
POSE!
Para aquelas que não pedem licença nem pedem desculpas para existir.Manifesto de Basquete das Excluídas
O olhar do diretor
Para Rudolfo Auffinger, o filme celebra a cena vogue brasileira dos últimos anos. Ele filma com planos-sequência que misturam documentário e dança, numa aproximação imersiva desse universo.
Como diretor e também membro da comunidade LGBTQIA+, sinto uma profunda conexão com a importância de levar esses corpos e suas histórias para espaços públicos, desafiando normas e afirmando a diversidade.
Rudolfo Auffinger, diretor
A proposta é também política: desorganizar equipes, subverter lógicas capacitistas e mostrar a força da presença e da performance num país que ainda mata pessoas LGBTQIA+ todos os dias.
Finalização e próximos passos
O filme recebeu recursos de edital em Joaçaba para a finalização, como contamos nesta notícia sobre a Lei Paulo Gustavo. Veja a ficha em Basquete das Excluídas.
A Rachadura Visual também registrou a 7ª Parada LGBTI+ de Chapecó. Conheça nosso trabalho em documentário e videoclipe.
